JONGO DO PINHEIRAL
VALE DA PARAÍBA - RIO DE JANEIRO
O Centro de Referência de Estudo Afro do Sul Fluminense, conhecido como Grupo Jongo do Pinheiral, foi fundado em 1996 como objetivo de preservar e manter viva a memória, a história e a tradição dos negros e negras. O Grupo Jongo de Pinheiral, formado por moradores da comunidade, mantém viva esta expressão de origem africana deixada pelos negros escravizados da Fazenda São José dos Pinheiros, berço histórico de Pinheiral.
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A cidade de Pinheiral, no Vale do Paraíba (sul do Estado do Rio de Janeiro), nasceu ao redor de uma estação ferroviária, no entorno de uma fazenda de café, a Fazenda São José dos Pinheiros. Nesta propriedade da família Breves, uma das maiores da região nos tempos do Brasil Colônia, havia um celeiro de negros escravizados. Eram 2 mil escravos trabalhando na fazenda quando foi aberto o testamento do comendador Breves, dando-lhes a alforria e uma parte das terras, em 1879. O casarão onde ele morava, considerado um palácio, hoje são apenas ruínas. Mas algo ali se mantém vivo desde então: o jongo, reconhecido em 2005 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial brasileiro.



Também conhecido como caxambu, batuque, tambor ou tambú, o jongo é uma expressão de origem africana que se manifesta no Brasil principalmente na Região Sudeste e conta com três elementos essenciais: o canto, a dança e a percussão. Nas rodas de jongo, homens e mulheres dançam e cantam os chamados “pontos”, misturando metáforas e dialetos da língua banto, ao som de tambores, fabricados em sua maioria de maneira artesanal. Em Pinheiral, a tradição é de dois tambores: o grande e o candongueiro. O contratempo entre os dois é feito com um pedaço de pau chamado de macuco.
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O Jongo do Pinheiral oferece programação de visitação à casa, contação de histórias e oficinas de dança de jongo – com instrução de percussão para crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.
Em 2005, o Grupo Jongo do Pinheiral ganhou o primeiro edital de Pontos de Cultura do Ministério da Cultura, reafirmando a importância do trabalho na arte de transmitir a tradição da dança e trabalhar a autoestima dos negros. As ações privilegiam a preservação da dança do jongo, a manutenção de uma biblioteca afro, e a prática da culinária afro.
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Desde 2008, o Jongo de Pinheiral também integra o Pontão de Cultura do Jongo/Caxambu, um programa desenvolvido pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com 15 comunidades jongueiras do Sudeste. São grupos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, do Sul e do Noroeste fluminenses, da Zona da Mata mineira e dos estados de São Paulo e Espírito Santo, que juntos buscam a construção de políticas públicas para salvaguarda deste bem registrado como patrimônio cultural do Brasil. Para os jongueiros, o Pontão é visto como um ponto de encontro mantenedor da cultura viva.


Entre os projetos que se destacam:
- Ação Griô, projeto voltado para a valorização do mestre de cultura popular e para a ampliação do diálogo com as escolas, que reconheceu Fátima da Silveira Santos, mais conhecida como Mestra Fatinha.
- Passados Presentes: Memória da Escravidão no Brasil, parceria entre os jovens e a comunidade acadêmica, projeto de turismo de memória a partir de um aplicativo para celular, com quatro roteiros que conduzem os visitantes à história da escravidão no Brasil, em trajetos pelo Quilombo do Bracuí; pelo Quilombo de São José; pela cidade de Pinheiral; e pelo Centro do Rio de Janeiro.
- Ponto de Memória, ação que envolve os descendentes diretos da última geração de africanos escravizados e em parceria com historiadores contam a história local a partir do que ouviram de seus pais e avós.
- Piquenique cultural no Parque das Ruínas, onde estava o antigo casarão da Fazenda São José dos Pinheiros. Em outubro de 2016, os jongueiros da cidade começaram a fazer ali uns piqueniques culturais, levando a dança de roda para as ruínas do casarão. Em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, foi assinado o termo de cessão das terras do Parque das Ruínas para o Grupo Jongo de Pinheiral edificar ali a sua sede.
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O Grupo tem parceria com a Universidade Federal Fluminense, UNIFOA; a Defensoria Pública de Volta Redonda; o Pontão do Jongo e Caxambu, entre outros, e integra o Fórum de Movimento Negro; os Fóruns de Comunidades Quilombolas; os Fóruns Culturais; e o Conselho Municipal de Cultura.
Pontos de Cultura e Memória Rurais: uma alternativa para os povos do campo, das florestas e das águas.
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Centro de Referência de Estudo Afro do Sul Fluminense
CREASF-Jongo de Pinheiral
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(24) 992217112